PPR ou ETF: Qual compensa mais a nível financeiro?

Quer investir a longo prazo, mas não sabe se deve escolher um PPR ou um ETF?

Investimentos

6 min

Patrícia Abreu

​A dúvida é comum. As duas soluções permitem aplicar dinheiro nos mercados financeiros, mas funcionam de forma diferente.

Um PPR pode oferecer benefícios fiscais e incentivar uma poupança mais disciplinada. Um ETF tende a dar-lhe maior flexibilidade e, muitas vezes, custos mais baixos. Ainda assim, nenhuma destas opções é automaticamente melhor.

Assim sendo, qual das opções deve escolher? Primeiro, faz sentido compreender melhor a natureza de cada um dos produtos.

PPR e ETF: Quais são as principais diferenças?

Um Plano Poupança-Reforma, mais conhecido como PPR, é um produto criado para incentivar a poupança de médio e longo prazo. Pode assumir a forma de Seguro ou de Fundo de Investimento.

Os PPR sob a forma de Seguro tendem a ter um perfil mais conservador, embora isso dependa das condições do produto. Já os fundos PPR podem investir em ações, obrigações e outros ativos, apresentando diferentes níveis de risco.

Um ETF, ou fundo de investimento cotado, procura normalmente acompanhar um índice, um setor ou um conjunto de ativos. Por exemplo, pode seguir um índice composto por centenas de empresas de vários países.

Na prática, há diferenças importantes:

  • O PPR pode dar acesso a um benefício fiscal e ter uma tributação mais favorável no reembolso.
  • O ETF costuma ter comissões de gestão mais reduzidas, oferece maior flexibilidade porque pode ser comprado e vendido em bolsa e tem maior potencial de diversificação, uma vez que estes podem proporcionar exposição a um número elevado de ativos através de um único produto.

Importa ainda recordar que nenhum deles garante o capital investido.

Benefícios do PPR e do ETF

O PPR pode dar acesso a um benefício fiscal

O principal benefício fiscal do PPR à entrada é uma dedução à coleta de IRS correspondente a 20% do montante aplicado, dentro dos limites legais.

Em regra, o benefício máximo por pessoa varia com a idade:

  • Até aos 34 anos: até 400 euros
  • Dos 35 aos 50 anos: até 350 euros
  • A partir dos 51 anos: até 300 euros

Para atingir estes limites, seria necessário aplicar, respetivamente, 2.000 euros, 1.750 euros ou 1.500 euros durante o ano.

Este benefício não significa que recebe automaticamente esse valor. É necessário ter coleta de IRS suficiente e considerar o limite global aplicável a determinados benefícios fiscais.

Além disso, se utilizar a dedução e levantar o dinheiro fora das situações previstas na lei, poderá ter de devolver o benefício recebido, acrescido de uma penalização.

O PPR pode ter uma tributação favorável no reembolso

Quando o dinheiro é levantado nas condições previstas na lei, os rendimentos de um PPR podem beneficiar de uma tributação inferior à aplicada, em regra, às mais-valias de outros investimentos.

Entre as situações legais de reembolso encontram-se, mediante o cumprimento das condições aplicáveis, a reforma por velhice, os 60 anos de idade, o desemprego de longa duração, a incapacidade permanente para o trabalho, a doença grave ou o pagamento de prestações do Crédito Habitação.

Estas regras podem tornar o PPR interessante para quem está a construir uma poupança de longo prazo e não prevê precisar do dinheiro antecipadamente.

O ETF costuma ter custos mais reduzidos

Muitos ETF seguem um índice de forma automática. Como não exigem uma seleção constante de investimentos por parte de uma equipa de gestão, podem apresentar comissões anuais mais baixas.

Uma diferença aparentemente pequena nos custos pode ter impacto ao fim de 10, 20 ou 30 anos. Quanto menor for a comissão, maior será a parte da rentabilidade que fica do seu lado.

Ainda assim, deve contar com outros encargos, como comissões de compra e venda, custos de custódia ou conversão de moeda, quando aplicáveis.

O ETF oferece maior flexibilidade e maior potencial de diversificação

Regra geral, pode vender um ETF durante o horário de funcionamento da bolsa onde está cotado. Isto dá-lhe mais liberdade para aceder ao dinheiro.

Essa flexibilidade não elimina o risco. Se precisar de vender numa altura em que o mercado está em queda, pode recuperar menos do que investiu.

O ETF também permite escolher entre muitas geografias, setores e classes de ativos. Um único fundo pode dar-lhe exposição a centenas ou milhares de empresas, facilitando a diversificação.

PPR ou ETF: Qual pode compensar mais?

O PPR pode compensar mais quando consegue aproveitar a dedução no IRS, mantém o investimento durante vários anos e faz o reembolso dentro das condições legais.

O ETF pode ser mais interessante quando procura custos reduzidos, maior liberdade para movimentar o dinheiro e uma exposição diversificada aos mercados.

Imagine que investe todos os meses durante 20 anos. Um PPR com benefício fiscal pode ganhar vantagem logo no início. Contudo, se tiver comissões anuais elevadas, parte dessa vantagem pode desaparecer com o tempo. Um ETF barato pode crescer de forma mais eficiente, mas não oferece a mesma dedução à entrada.

Por isso, a comparação deve incluir quatro elementos: benefício fiscal, tributação à saída, custos totais e rentabilidade líquida esperada.

Erros e cuidados a ter antes de investir num PPR ou ETF

Evite tomar uma decisão apenas com base no nome do produto ou na rentabilidade do último ano. Tenha atenção a estes pontos:

  • Não comparar produtos com níveis de risco diferentes
  • Ignorar as comissões cobradas ao longo do investimento
  • Investir num PPR apenas para receber o benefício fiscal
  • Resgatar o PPR sem confirmar as consequências fiscais
  • Escolher um ETF demasiado concentrado num setor ou país
  • Investir dinheiro que poderá fazer falta a curto prazo
  • Assumir que os resultados passados vão repetir-se
  • Não constituir primeiro um fundo de emergência

Antes de avançar, consulte o documento de informação fundamental e confirme se compreende os riscos, os custos e o prazo recomendado.

Conclusão: Escolher um PPR ou um ETF?

Não existe uma resposta igual para todas as pessoas. Um PPR pode destacar-se pelos benefícios fiscais e pela tributação favorável em determinadas condições. Um ETF pode oferecer custos mais baixos, diversificação e maior flexibilidade.

Não tem necessariamente de escolher apenas uma solução. Pode usar um PPR até ao montante que lhe permite aproveitar o benefício fiscal e investir o restante num ETF diversificado. Tudo depende do seu perfil e dos seus objetivos.

O mais importante é fazer contas, escolher um nível de risco adequado e manter uma estratégia coerente ao longo do tempo.

Agora que já conhece os principais pontos, pode dar o próximo passo com mais confiança. Saiba como funciona os fundos de investimento e descubra como encontrar os melhores ETFs para começar a investir. E, se este artigo lhe foi útil, partilhe-o nas redes sociais: pode ajudar mais pessoas a simplificar as suas decisões de investimento.

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