Avalista vs. Fiador: sabe quais são as grandes diferenças?

Foi convidado por um familiar ou amigo para ser fiador ou avalista de um empréstimo? Ou está a contratar um Crédito e o Banco pediu-lhe uma destas garantias?

Crédito

6 min

Daniela Fonseca

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As duas figuras confundem-se com facilidade, mas implicam responsabilidades e riscos bem diferentes. Neste artigo, clarificamos as diferenças.​

​​​O que é um fiador ​e em que Créditos é obrigatório?

Um fiador é uma pessoa que assume a responsabilidade de pagar uma dívida caso o titular do Crédito não o faça. Serve como garantia financeira para quem empresta o dinheiro.

Por lei, não existe nenhum Crédito onde a figura do fiador seja estritamente obrigatória, mas é comum em contratos de Crédito Habitação.

A exigência de fiador depende sempre da avaliação de risco que o banco ou instituição financeira faz do cliente. Em concreto, o banco exige fiador quando considera que o risco de incumprimento é alto. Isso acontece em dois cenários principais:

  • Taxa de esforço elevada: quando a prestação do Crédito consome uma percentagem alta do rendimento mensal
  • Instabilidade laboral: contratos a termo, recibos verdes ou situações de desemprego recente

A boa notícia para quem aceita a responsabilidade da fiança é o chamado benefício da excussão prévia: o credor (o Banco) só pode ir atrás do património do fiador depois de esgotar todos os bens do devedor principal.

Em termos simples: se o titular do empréstimo deixar de pagar, o Banco é obrigado a tentar cobrar primeiro tudo o que o devedor tem (contas bancárias, ordenado, imóveis, carros, etc.) e só depois pode vir exigir o pagamento ao fiador.

Esta proteção pode, no entanto, ser afastada se o fiador renunciar a ela no próprio contrato - por isso, a leitura atenta das cláusulas é essencial antes de assinar.

O fiador acompanha o Crédito do início ao fim. Uma vez assinada a fiança, não é fácil sair desta posição antes de a dívida estar totalmente paga, a não ser que exista um acordo entre todas as partes envolvidas - incluindo o próprio Banco. Por isso, mesmo entre familiares próximos, é importante conversar com clareza sobre prazos, valores e cenários de incumprimento antes de aceitar.

O que é um avalista e qual o risco desta garantia?

Um avalista é a pessoa que presta uma garantia pessoal sob um título de Crédito, como uma letra de câmbio ou uma livrança (também comuns em empréstimos bancários e no Crédito ao Consumo).

Ao assinar o documento no espaço reservado ao "aval", o avalista compromete-se a pagar a dívida no lugar do devedor principal caso este falhe o pagamento. Não existe o benefício de excussão prévia, pelo que esta é uma garantia com um nível de exposição bastante mais elevado e direto.

Os dois pontos críticos a ter em conta são:

  • Responsabilidade solidária: enquanto avalista, não pode exigir que o Banco tente penhorar primeiro os bens do devedor principal. O credor pode avançar diretamente contra o seu salário, contas bancárias ou património no primeiro dia em que a dívida falhar
  • Penhora de bens pessoais: caso o devedor não pague, os seus bens (imóveis, automóveis, depósitos e parte do vencimento) podem ser penhorados para liquidação da dívida

Outro pormenor importante: o avalista pode assumir a responsabilidade pela totalidade da dívida ou apenas por uma parte, consoante o que ficar definido no título de Crédito. Ainda assim, seja qual for o valor, o risco de ser chamado a pagar de um momento para o outro mantém-se, o que torna esta garantia especialmente exigente para quem a presta.

Resumo prático: diferença entre avalista e fiador

Embora pareçam semelhantes, do ponto de vista jurídico o avalista assume uma responsabilidade muito mais direta e pesada do que um fiador:

CritérioFiadorAvalista
1. Tipo de Contrato / VínculoVincula-se ao contrato principal (por exemplo, o empréstimo ou arrendamento). Depende da validade desse contrato.Vincula-se a um título de Crédito (como a livrança). É uma obrigação autónoma e independente.
2. Direito de Defesa Pode exigir penhora prévia dos bens do devedor e tem o direito de usar as mesmas defesas legais para não pagar. Sem direito a penhora prévia nem defesas baseadas na relação entre o devedor e credor.
3. Nível de Exposição ao Risco Médio a Alto. Torna-se alto caso renuncie expressamente à excussão prévia no contrato. Máximo / Imediato. A cobrança é direta e imediata sobre o seu património.

Como ser fiador ou avalista afeta o seu Mapa de Responsabilidades?

Sempre que assume a posição de fiador ou avalista, essa informação fica imediatamente registada na Central de Responsabilidades de Crédito (CRC) do Banco de Portugal - o documento vulgarmente conhecido como Mapa de Responsabilidades de Crédito.

Na prática, o Banco reporta ao Banco de Portugal o valor total do Crédito que garantiu. Esse valor é classificado como dívida "potencial" porque, em condições normais (enquanto o devedor tiver os pagamentos em dia), não é sua, mas pode vir a ter de a assumir a qualquer momento.

Mesmo que o devedor principal pague todas as prestações rigorosamente a tempo, figurar como fiador ou avalista reduz a sua capacidade de endividamento. O Banco considerará que tem uma exposição ao risco já muito alta e pode recusar o seu pedido de Crédito, ou, no limite, exigir condições mais penalizadores (como juros mais elevados).

Se o titular do empréstimo deixar de pagar as prestações, o impacto no seu Mapa de Responsabilidades agrava-se drasticamente: assim que o Banco aciona a garantia (fiança ou aval), o montante em dívida ou em atraso passa a figurar no seu mapa associado a incumprimento.

Além disso, fica com registo de incumprimento no Banco de Portugal: no sistema financeiro, passa a ser visto como um cliente com Crédito malparado. Isto impossibilita a obtenção de qualquer tipo de Crédito, Cartão de Crédito ou Financiamento em Portugal até que a situação seja regularizada.

Conclusão: cuidados a ter antes de assinar como garante de um Crédito

Ser fiador ou avalista é um gesto de confiança em quem nos pede ajuda, mas é também um compromisso financeiro sério. Vale a pena colocar sempre três perguntas simples:

  • Consegue pagar a dívida se o titular do Crédito não o fizer?
  • Sabe exatamente o valor total pelo qual está a responder?
  • Tem noção de como esta garantia pode condicionar os seus próprios pedidos de Crédito no futuro?

Quando as respostas são claras, esta decisão passa a ser uma escolha consciente.

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